A falta de mão de obra no setor da construção civil está acelerando o processo de industrialização dos canteiros. Na Construtora Costa Feitosa, a adoção de sistemas construtivos industrializados foi responsável por reduzir em 50% a necessidade de mão de obra para postos de menor especialização, como pedreiros, carpinteiros, armadores e ajudantes. "Embora haja dificuldades também para os cargos mais técnicos, como engenheiros, o problema é maior para os de menor especialização em função do número de profissionais necessários", explica o presidente da construtora, Tercio Luis da Costa Feitosa.
A Costa Feitosa deve entregar uma unidade da multinacional alemã Big Duchtman em Araraquara nos próximos meses, uma planta de 18 mil metros quadrados onde trabalham cerca de 180 funcionários, sem contar a área técnica. "Se fosse uma obra convencional, precisaríamos de no mínimo 350 pessoas para entregar no prazo exigido, de dois meses", conta Feitosa.
A construtora, voltada para obras industriais, utiliza elementos pré-fabricados em concreto armado (vigas e pilares), lajes e pisos protendidos e estruturas metálicas nas coberturas, um sistema chamado "projeto pré-engenhado" pelo empresário. "Isso tudo chega pronto na obra e deve ser definido ainda no projeto. A laje protendida, por exemplo, é feita com cabos de aço tensionados e depois concretados. Os painéis chegam em carretas ao canteiro são instalados como se fosse um grande "lego", com ajuda de "gruas ou guindastes", explica.
Nas coberturas, além da estrutura metálica, a construtora tem optado por telhas zipadas, que além de reduzirem a necessidade de mão de obra na instalação, aumentam a estanqueidade do telhado. "A siderúrgica envia uma carreta com uma grande bobina de folha de aço que utiliza uma calandra para dar forma a mesma, cobrindo assim a edificação com poucos panos. Este processo só tem emendas laterais, que são soldadas. É possível vencer vãos de até 100 metros de comprimento sem nenhuma emenda", explica.
Custo - Embora o custo inicial deste sistema seja maior, Feitosa diz que no final há uma economia significativa. "Historicamente, a mão de obra representa 40% do custo da obra. Com este sistema, a participação cai pela metade em função da redução no número de trabalhadores", diz. Há ainda redução no tempo necessário para concluir a obra, da infra-estrutura e dos gastos secundários. O canteiro fica menor. Economizo ainda com os equipamento de proteção individual, vale transporte", ressalta.
A economia fica ainda maior considerando o aumento nos salários, outra consequência da grande demanda por trabalhadores. E essa demanda vai crescer mais com as obras do PAC. Uma obra como a usina de Jirau, por exemplo, demanda pelo menos 22 mil trabalhadores", diz Feitosa. Essa concorrêcia majora principalmente os salários dos trabalhadores mais experientes, como mestres de obras. "Tem mestre de obra ganhando até R$ 10 mil, que é um salário de engenheiro com experiência inferior há 5 anos", conta.
O piso, em geral pago para os postos iniciais e de base, também sobe. Dados do CUB, calculado pela Fundação Getúlio Vargas Projeto para o Sinduscon-SP, mostram que a mão de obra teve uma variação de 7,88% nos últimos 12 meses (fev-2010 a fev-2011) nas construções residenciais, contra 3% nos custos com materiais. A participação da mão de obra no custo total foi de 53%. A variação no mês (janeiro ára fevereiro de 2011) no preço de metro quadrado construído foi de 0,21% nas obras residenciais e de 0,13% nas obras de galpões industriais.
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