Solução ideal para cronogramas reduzidos, os pré-fabricados têm encontrado mercado fiel nos segmentos de flats, hotéis, torres de escritórios de alto padrão, supermercados e mesmo em projetos de edifícios residenciais.
Henrique Cambiaghi, diretor da Asbea-Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura, lembra que os pré-fabricados foram bastante difundidos no Brasil até a década de 1980, especialmente em galpões e indústrias devido à sua linguagem arquitetônica pesada. Na década seguinte, com a chegada de empresas estrangeiras e suas novas tecnologias, o conceito se ampliou.
Segundo Maria Angélica Covelo Silva, do Núcleo de Gestão e Inovação (NGI), esses sistemas ganharam importância nos últimos dois anos, período em que começou a crescer a demanda por empreendimentos que exigem retorno rápido. Com essa tecnologia, muda a lógica de condução das obras, que passam a exigir fluxo de caixa grande, alerta
O uso de pré-fabricados impõe o conhecimento técnico profundo de cada item empregado e a consciência de que será preciso trabalhar em equipe desde o desenvolvimento da idéia inicial, para que os projetos de arquitetura, estrutura, esquadrias, instalações e ar condicionado sejam compatíveis.
Os profissionais devem partir da mesma concepção e os projetos devem ser desenvolvidos simultaneamente. Senão, os sistemas não vão encaixar direito depois. Cabe ao arquiteto coordenar todo o trabalho, desde o estudo de viabilidade, diz Maria Angélica.
O fabricante e seu departamento de engenharia devem garantir o casamento entre os diferentes tipos de pré-fabricados. A indústria já vem trabalhando nesse sentido, mas, mesmo assim, é fundamental que o arquiteto faça criteriosa avaliação das possíveis combinações de sistemas, verificando itens como modulação e os inserts de fixação, para evitar dificuldades no canteiro. A compatibilidade dependerá da qualidade do trabalho de coordenação de projetos.
A maior difusão pelo Brasil dos sistemas pré-fabricados esbarra em fatores como a necessidade de gruas ou guindastes especiais, dificuldades no transporte das peças e incidência de impostos na ordem de 20% sobre os produtos industrializados, lembra Cambiaghi.
Somam-se a isso a imensa disponibilidade de mão-de-obra, a pequena disposição do construtor para aplicar recursos em treinamento de pessoal e até mesmo os atuais sistemas de financiamento habitacional, que, apesar da demanda reprimida estimada em mais de 5 milhões de unidades, não estimulam obras mais velozes. Até existem planos de financiamento para a população de baixa renda em que, quanto mais veloz for a entrega da obra, mais rápida será a liberação do pagamento.
No entanto, a Caixa Econômica Federal só aprova créditos para obras com inovações tecnológicas se houver normalização, detalha Maria Angélica.
A ausência de normas técnicas brasileiras para os pré-fabricados é um dos maiores adversários do crescimento do setor no país. Exceto os blocos comuns de concreto ou cerâmica para vedação e blocos de pavimentação, nenhum outro material pré-fabricado é normalizado, lembra a consultora.
Cada um acaba seguindo as normas de seu país de origem e com isso, muitas vezes, não contemplam as necessidades brasileiras em modulação, inserts, acabamentos ou solidarização entre os sistemas, ela explica.
Os produtores ainda não se organizaram em torno disso, mas devem preparar suas normas em breve para evitar a concorrência predatória, ganhar mercado e conquistar a confiança de construtores e projetistas, diz a engenheira do NGI.
Um aceno positivo foi dado pela Pavi do Brasil, que trouxe ao país os pré-fabricados produzidos em concreto reforçado com fibra de vidro do grupo Pavicentro, de Portugal. A empresa mal chegou ao Brasil, mas já organizou uma comissão de estudos para elaborar normas técnicas brasileiras de seus produtos.
Texto resumido a partir de reportagem de Nanci Corbioli
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 256 Junho 2001