III Seminário Nacional de Pré-Fabricados

QUALIDADE DO CONCRETO

Especialistas discutem em seminário nacional a qualidade, as inovações e a normalização dos pré-fabricados de concreto

Paralelo à exposição dos produtos na Feira Internacional da Indústria da Construção (FEICON), no Anhembi, em São Paulo, aconteceu o III Seminário Nacional de Pré-Fabricados de Concreto.
O seminário foi estruturado para atender todo o segmento da cadeia produtiva da construção que opera com pré-fabricados de concreto: arquitetos, engenheiros, construtores, empresários do setor imobiliário, entre outros.
No primeiro dia do evento, mesas-redondas com arquitetos e produtores de pré-fabricados em concreto, sob a coordenação do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB/SP), discutiram as inovações, deficiências e vantagens do sistema de construção industrializada em concreto, sob os pontos de vista arquitetônico e técnico. Na seqüência, ocorreu a apresentação de um case com obra pré-fabricada, o Centro de Distribuição da Marabraz, em Cajamar (SP), que possui solução inovadora nesse tipo de edificação; logo depois, foi apresentado o Selo de Excelência da ABCIC (Associação Brasileira da Construção Industrializada em Concreto) como diferencial de qualidade para o mercado, por dirigente da Fundação para o Desenvolvimento Escolar (FDE); finalizando esse primeiro dia, mostrou-se outra obra em pré-fabricado: o Estádio da Vila Olímpica do Rio de Janeiro.
No segundo dia, os debates se centraram em questões mais técnicas, como protensão e projetos de fôrmas para ganhos de produtividade e o estágio atual da normalização setorial no Brasil.
O engenheiro Paulo Helene, professor-doutor da Escola Politécnica da USP, iniciou sua exposição debatendo a Vida Útil e Durabilidade das Estruturas de Concreto. Ele listou monumentos históricos no Brasil e no mundo para enfatizar a importância da durabilidade das obras da construção civil como um marco de referência para a humanidade. Destacou também o quanto é desconhecido o processo de durabilidade e que, somente nos anos 90, o setor passou a se preocupar mais com o tema
Helene destacou em sua palestra parte do seu estudo A Nova NB1/2003 (6118) e a Vida Útil das Estruturas de concreto, no qual constata que, nos últimos anos, tem crescido o número de estruturas de concreto armado com manifestações patológicas, principalmente com problemas de corrosão de armaduras, como resultado do envelhecimento precoce das construções existentes.
Segundo ele, a perda da proteção natural oferecida à armada pelo cobrimento de concreto pode ocorrer através de diversos mecanismos, sendo preponderantes a despassivação por carbonatação e por elevadas concentrações de íons cloreto. “Em ambos os casos, na maioria das vezes todo o componente estrutural é atacado pelo ambiente externo, porém a manifestação da corrosão se dá somente em alguns pontos localizados, como resultado da própria natureza do processo de corrosão eletroquímica onde regiões anódicas alternam-se com regiões preponderantemente catódicas, explica”
O Engenheiro alerta que o concreto também sofre o ataque do ambiente, deteriorando-se. Em algumas situações, a própria má escolha dos materiais constituintes do concreto pode gerar incompatibilidade e reações deletérias. “Em todos os casos, a estrutura de concreto pode vir a ser seriamente afetada”, destacou o professor.
Em seu estudo, Helene ainda explica que essas constatações, tanto no âmbito nacional quanto internacional, demonstram que as exigências e recomendações existentes nos textos das principais normas de projeto e execução de estruturas de concreto vigentes na década de 80 eram insuficientes. “A década de 90 caracterizou-se, então, por um forte movimento nacional e internacional de introdução do conceito de vida útil no projeto das estruturas de concreto”, comenta. Para ele, foi a partir da conscientização dessa problemática que a engenharia brasileira iniciou as atividades de revisão da norma brasileira.
“Os capítulos novos permitem uma previsão da evolução da deterioração das estruturas de concreto armado através de modelos de comportamento que viabilizam projetar para durabilidade e não apenas para resistência mecânica e segurança estrutural”.

Normas técnicas e os pré-fabricados
Uma mesa-redonda, coordenada pelo arquiteto Paulo Eduardo Fonseca de Campos e formada por Carlos Eduardo Melo, coordenador da revisão da norma NBR-9062; Cláudio Sbrighi Neto, consultor do IPT; Iria Lica Doniak, da ABCIC; e Jorge Aoki, da Cimento Itambé, debateu “A atualização das normas técnicas aplicáveis aos pré-fabricados de concreto”.
Carlos Eduardo Melo apresentou pontos importantes da Norma e adiantou que sua finalização está prevista para junho ou julho deste ano.
Segundo ele, a norma será apresentada com mais rigor e terá, mais do que especificações técnicas, parâmetros e diretrizes de desempenho. “O mais importante é que ela venha para viabilizar o mercado e não impossibilitá-lo”, disse.
Cláudio Sbrighi, do IPT, classifica o atual período como a quinta onda do concreto, e explica: na primeira onda, falamos sobre resistência na relação água e cimento; na segunda, o tema foi durabilidade – descobrimos que o concreto não é perene; a terceira esteve ligada à evolução e à deformação dos módulos; na quarta, buscamos o concreto bombeável; nessa quinta onda, a nossa preocupação é com os pré-fabricados e com os prémoldados.
Iria Lica Doniak, da ABCIC, comentou o alto nível das discussões e estudos sobre a durabilidade do concreto, baseados em tabelas de tolerância e selo de qualidade. Jorge Aoki, do Cimentos Itambé, fez questão de enfatizar que qualidade só se consegue seguindo às normas e que elas são obrigatórias, principalmente para atender ao Código de Defesa do Consumidor. “Essa é a nossa grande evolução”.

Fonte: Notícias da Construção nº44 Sinduscon - SP


A Leonardi esteve presente na 14ª Edição da Feira Internacional da Construção - FEICON 2006, onde em paralelo ao mesmo evento ocorreu o III Seminário Nacional de Pré-Fabricados de Concreto promovido pela ABCIC - Associação Brasileira da Construção Industrializada em Concreto.

Veja algumas fotos do nosso stand.